Por Trás das Câmeras
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Bastidores de uma cidade cenográfica

Marcílio Moraes escreveu uma novela em que um dos personagens da história é a cidade em si. Por isso, fizemos esse investimento", revela o Diretor de Cenografia, Daniel Clabunde, que idealizou o projeto ao lado de sua equipe. Com cerca de 5 mil metros quadrados construídos num terreno em Ilha de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, o local abriga cenários como o Liceu Ribeirão do Tempo, o bordel e o correio. Isso sem contar as fachadas, que têm interiores que funcionam como estúdio, como a sede do jornal ‘Folha da Corredeira’ de Lincon (Eduardo Lago), o botequim ‘Já É’ de Alfredo Lorota (Tião D`Ávilla), o bar ‘Agito Colonial’ de Ari Jumento (André De Biase), a sede da empresa ‘Patrimônio Eterno’ de Eleonora Durrel (Jacqueline Laurence) e a loja de Karina (Juliana Baroni). "São oito construções que se aproximam bastante da realidade, tendo gride de luz e ar condicionado", explica Edgard Miranda, Diretor-Geral do folhetim, que participou de sua idealização.

Apesar de Ribeirão do Tempo ter sido criada aleatoriamente, sem fazer réplicas de nenhuma cidade brasileira, foi de Ouro Preto, Diamantina e Paraty que o autor tirou a ideia para criar a novela. E isso está refletido no centro histórico colonial tombado da trama, que atrai dezenas de turistas para a alegria do guia Joca (Caio Junqueira). "Eu resolvi situar a história num local que fosse essencialmente brasileiro. Então, me ocorreu uma cidade pequena, com tradição histórica, fundada ainda na época colonial. Essa cidade foi magnificamente concebida e construída pela equipe de cenografia da Record. E situada num lugar excepcional. Fiquei gratamente surpreso", conta o autor Marcílio Moraes.

Vale ressaltar que Ribeirão do Tempo não tem uma localização geográfica. Por isso, para dar mais realidade – já que existe uma área de preservação ecológica na novela, em que se pratica esportes radicais – a cidade cenográfica está integrada com a vegetação que cerca o terreno. Fator que acabou influenciando positivamente na qualidade das imagens gravadas por lá. "Ribeirão do Tempo foi feita de uma forma que todos fiquem contra a luz, ajudando para que todos em cena apareçam bem no vídeo. Isso tudo se deve à parceria com a equipe de fotografia, que também participou de sua criação", revela Miranda, satisfeito com o resultado obtido.

Mas como explicar o nome Ribeirão do Tempo se na cidade cenográfica não há nenhum? Simples. Graças à computação gráfica, o Rio Macaé, localizado em Casimiro de Abreu, no interior do Rio de Janeiro, será inserido às imagens do local. "Ribeirão do Tempo também aparecerá maior do que realmente é, porque ele ainda será ampliado por meio de 3D", explica Miranda, confiante no sucesso da novela.

Destaque
Com ruas de paralelepípedos antigos em desníveis, uma praça central, com direito a chafariz, e muitas construções em estilo colonial, Ribeirão do Tempo chama a atenção de quem caminha por lá. A princípio, até parece uma cidade do interior do Brasil. Mas a verdade vem à tona quando o visitante descobre, entre outros segredos, que os azulejos portugueses não passam de pintura. E que algumas casas são apenas fachadas. Coisas de uma típica cidade cenográfica.

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